A Vaselina

Há umas semanas atrás durante uma reunião que tive com a direcção da empresa minha cliente, chamamos os empregados, um por um, para dar uns valentes puxões de orelhas e terminar com alguns comportamentos menos correctos que estavam a prejudicar toda a organização.
A dado ponto da conversa, foi chamado para conversar connosco, o senhor A., 55 anos, terceira classe tirada à pressa durante a década de 50 do século passado, mãos calejadas por uma vida de trabalho árduo, ao sol e à chuva, barba de três dias que tapava as rugas de uma pele enrugada por uma vida de trabalho e corada por um copito de tinto para matar o bicho todas as manhãs.
Palavra puxa palavra, atrevi-me a dizer:
- Senhor A., temos que mudar estes comportamentos, a situação está insustentável e a empresa está a pedir um sacrifício a todos. Por exemplo os seus colegas S. e H, já abdicaram de hábitos e não se queixam...
A resposta foi curta e grossa:
- “Ó shô dótour, PIMENTA NO CÚ DOS OUTROS, PARA MIM É REFRESCO!”
Obviamente que a reunião terminou com toda a gente a rir à gargalhada, com aquela resposta que nos deixou a todos… sem resposta.
Parte 2
Eu gosto muito do meu trabalho, estou a aprender bastante, e até hoje considerava-me bem compensado pelo muito trabalho que faço. No entanto, hoje pelo telefone, fui informado que vão reduzir as minhas ajudas de custo, e ironia do destino terminaram dizendo que fazíamos todos parte uma empresa só, e tínhamos que fazer sacrifícios.
Eu não respondo como o senhor A, mas…
… Alguém tem aí um tubinho de vaselina que me empreste????