terça-feira, janeiro 23, 2007
segunda-feira, janeiro 22, 2007
O Nó da Forca - Outra história passada

Ensinaste-me a fazer um nó de forca, num serão lá no sofá de tua casa.
Tinha-mos visto aquele filme da Bjork “Dancing In The Dark”, no sofá da sala e comentamos o quão brutal seria a morte por enforcamento…
- “Brutal e eficaz, ainda por cima, no caso dos homens dá tesão”. Morrem felizes!
Disseste prontamente, foste buscar um novelo de “Fio de Norte” e começaste a manejá-lo com facilidade.
Esse nó perfeitinho, ficou até ao fim da nossa relação pendurado no íman do frigorífico.
A nossa relação era doentia, como tu eras também doente, e nem disfarçávamos já que não gostávamos um do outro. Comíamo-nos por vício e com um pânico terrível da solidão em que ficaríamos se nos virássemos as costas mutuamente.
Eu ainda estou só. Cada vez mais.
Foste a pior coisa que me aconteceu. Sabias disso?
Neste Natal, voltei a lembrar-me de ti, como se de um pesadelo recorrente te tratasses.
Mas não… foste realidade, queimaste a minha vida completamente, e não me consigo levantar.
Passamos junto três Natais. Três malditas unidades de tempo que quero apagar da minha memória.
O presente que pedi este Natal, foi libertar-me de vez do teu cheiro, é esquecer-me de como estava mobilada a tua casa onde passávamos a vida, esquecer-me da tua cara, do filme da Bjork, esquecer-me do Plateau e do Xafarix onde tantas noites perdemos, bebendo copos, e onde apostavas comigo que conseguias pôr qualquer homem a olhar para ti e a comer-te com os olhos.
Dizias…
- Escolhe um macaco qualquer e dá-me 5 minutos que eu ponho-o a babar-se por mim.
E eu fazia-o e tu ganhavas a aposta.
E eu ria, orgulhoso de tanta perfídia concentrada numa única mulher… a minha, a que tinha em casa.
Tu gostavas desse sentimento de superioridade que tinhas em relação ao sexo fraco, que os homens são, e eu gostava de saber que tinha uma mulher para a qual todos os outros homens gostavam de olhar.
Tu ensinaste-me a fazer um nó de Forca e…